Marida na area!
Atendendo ao convite do maridao, aqui estou para dar uma mao!
"Que Deus do céu me ajude, quem sai da terra natal em outro canto não pára. Só deixo o meu Cariri no último pau-de-arara". Ramadam Almeida, Fortaleza, Ce. "Eu não sou gata de Ipanema, sou bicho do Paraná". Patty Almeida, Londrina, Pr.
*** Clique no título e vocês verão as fotos da viagem***
Mais uma vez de volta ao Brasil. Tirei férias de duas semanas da empresa e junto com minha pretamada fomos visitar parentes e amigos.
(exatamente 1 dia antes da viagem deletei meu blog anterior)
Como não pudesse deixar de faltar, viagens comigo só com emoção - já diria o Igarashi - e na chegada ao aeroporto de Guarulhos tivemos nossa primeira surpresa ao que o oficial da alfândega pega meu passaporte e pergunta pela renovação. Tentando entender o que ele tinha a ver com minha preferência religiosa eu perguntei do que ele estava falando, "Einh??". Pois é, meu passaporte estava vencido desde Maio de 2003. Naquele momento aquilo tornou-se uma preocupação sem tamanho, fiquei pensando como tinha chegado até ali com o passaporte vencido. Mas logo esqueci quando chegamos a casa da minha irmã e ela nos convidou pra almoçar.
- Vamos almoçar? tem um self-service aqui do lado de casa...
- Mirelle, olha pra mim e diz se eu tenho cara de quem veio do Canadá pro Brasil pra comer em self-service.
- Você tem cara de quem comeria até pedra...
- Esquece, onde é a churrascaria mais próxima?
Fomos. E segundo minha marida eu comi como se tivesse caído de um caminhão do Ceará. Fui obrigado a me render a um sal de frutas, quase tive que passar para o laxante também.
Não bastasse isso ainda saímos para a pizzaria Braz na mesma noite com a Mirelle e Eduardo, Darley, Cristiane e Adriana Andretta. Confesso que me arrependi muito por ter ido a uma excelente pizzaria e só ter comido uma fatia de pizza.
Sábado, 8 de Maio, fomos a um dos meus lugares favoritos em São Paulo, As Véia . Fomos para encontrar amigos e matar a saudade daquele lugarzinho pitoresco. Agradecimentos especiais às pessoas que compareceram: Nadim, Valmir e Ivonne, Fábio e namorada, Kelson, Cláudio e Bianca, Rafaela e família, Luciene e Orlando e Juliano e Otília.
Domingo, 9 de Maio de 2004, dia das Mães. Estávamos sem mães em São Paulo e nada mais conveniente num momentos desses que passar um óleo de peroba no rosto e com a cara de pau pedir a mãe dos outros emprestado. Fomos a casa do Marcelo, vulgo Big Boy, passar o dia com a mãe dele e da Miriam (que por uma questão de semântica não pode ser chamada de Big Girl). Foi um dia excelente, com pessoas maravilhosas. Gostaríamos de agradecer a: Dona Dolores e Seu Romário, Dona Yoná e Seu Oscar, Marcelo e Miriam, Fábio, Renan e Bruno pelo ótimo dia das mães que tivemos, pelo churrasco preparado pelo Seu Romário e um pudim de leite condensado divino (que a Mirelle e a Renata fiquem avisadas que aquele pudim é 100000000000000 vezes melhor que "aquele" melhor pudim de leite de São Paulo).
Ainda na mesma noite, para fechar nosso final de semana, fomos ao Barnaldo Lucrécia , outro lugar que não posso deixar de passar quando vou à Sampa. Lá pude encontrar mais outra cambada de pestilentos da FATEC: Flávio, Carlinha, Cláudia, Luciano, Tio Zéric, Dani, Fernanda e Adriana(amiga da Patty de Londrina).
Segunda-feira voamos para Fortaleza, e no avião tivemos a companhia de um ser ilustre, corno, e idolatrado por vários conterrâneos, Falcão. Tinha cara de sério, roupa de gente séria, mas corno a gente reconhece de longe, o chifre não nega o sangue.
Nota: Estava com saudades de São Paulo, essa é uma cidade maravilhosa. Acho que porque passei apenas 3 dias na cidade e já sabia o que evitar, não me senti tão inseguro como quando morava lá. Claro, nada disso muda o fato que isso é apenas ilusão minha. De qualquer maneira, não volto ao Brasil para morar em São Paulo de novo.
Finalmente em Fortaleza, terra quente com sol castigante, pude rever meus pais, minhas avós, minhas tias, meus irmãos (minha irmã foi de SP conosco para Fortal) e pude conhecer minha sobrinha, Beatriz, que teve um batizado lindo também.
Entre meus dias de férias eu tive que sacrificar os dois primeiros por causa de renovação de passaporte e renovação de carteira de motorista, esta última deixei de renovar no instante que recebi o valor da renovação e ponderei sobre a necessidade da mesma. O que me fez sair do DETRAN a tarde depois de 4 horas de fila e espera com o sentimento de que tinha perdido minha tarde de férias em vão, mas pelo menos não foi cara.
Mesmo estando em Fortaleza, com todas aquelas praias e belezas naturais que o local oferece eu sentia-me incomodado. Não me sentia mais na minha terra natal. O calor infernal me irritava. Um calor que tornava-se relaxante combinado com a brisa da praia e aqueles carangueijos com leite de côco. Porém, mesmo as belas praias contém em si um problema: vendedores ambulantes. Tinha esquecido da falta de "zona de comforto" onde em 4 horas de praia podemos ser abordados por mais de 45 vendedores ambulantes diferentes, e às vezes aparecem uns bem chatos...
A falta de costume com flanelinhas, mendigos e guardadores de carro(esses realmente são irritantes) me deixou assustado. Sentia uma insegurança como nunca tinha sentido antes, nem mesmo em São Paulo.
Passei por vários momentos bons em Fortaleza e aprendi/percebi bastante coisa sobre a cidade e sobre mim. Percebi o quanto estava diferente da última vez que tinha pisado lá.
Foi bom rever amigos também. Apenas meia dúzia, muito pouco considerando-se que estou falando da minha terra natal, mas foram os amigos sinceros que sobraram.
Percebi também com outros olhos uma característica que não é novidade para nós: A mentalidade de querer se dar bem em todas as situações, incondicionalmente, e sobre todo mundo. Agora isso faz diferença pra mim e incomoda.
Uma noite(17 de Maio) quando voltávamos de um jantar familiar no Côco Bambu aconteceu um fato no mínimo "moleque". Um taxista(Ô raça!!) havia cortado meu pai em frente ao sinal quase arrancando o pára-choque da frente do carro, só pra pegar o primeiro lugar da fila. Meu pai, com toda a calma, não buzinou e não deu atenção ao acontecido e eu tentei fazer de conta que não vi nada porque todos já sabiam da minha opinião sobre o trânsito de Fortaleza. Mais ou menos 1 quilômetro depois sob uma ponte em reforma o mesmo taxista tentou fazer uma ultrapassagem proibida e perigosa pela direita, só que ele foi barrado pelas construções da ponte e teve que ficar vendo todo mundo passar por ele, inclusive nós onde eu estava gargalhando aos berros dentro da minha cabeça vendo aquela cena. Mas como todo taxista este era teimoso, além de irresponsável e apressado, e mais na frente ele já estava atrás do carro do meu pai tentou ultrapassá-lo(pela direita de novo) durante uma conversão à esquerda em uma rua estreita. Não é difícil de imaginar que esse taxista quase foi parar em cima de uma árvore na calçada. Achando-se cheio da razão ele buzinou e praguejou contra meu pai. Por felicidade minha, minha paciência com aquele taxista já tinha se esgotado há vários quilômetros atrás, nessa tentativa de ultrapassagem ele ficou cara a cara comigo(eu estava sentado no banco traseiro oposto ao motorista). Era o que eu precisava pra mostrar o dedo pra ele mandar ele sifu. Ambos os carros estavam com os vidros fechados mas ele viu muito bem o que eu tinha feito.
Pense num cabra louco querendo ir contar pra mãe que alguém deu língua pra ele no meio da rua... Mas naquele momento não tinha mãe e no nosso carro tinha meu irmão mais velho e meu pai. Aquele taxista precisava ter muita coragem ou uma arma pra querer vir brigar.
Pra minha surpresa esse taxista emparelhou com meu pai e começou a reclamar de mim(ele deve ter percebido que a pessoa no volante devia ser meu pai ou algum responsável por mim). Meu pai ficou sem saber do que se tratava a reclamação já que ele não tinha visto nada. Eu fiquei do meu canto gritando pra ele "seguir caminho que ele tinha merecido", ao mesmo tempo morrendo de medo de ele ter uma arma. Os carros atrás, já cansados da palhaçada que mal sabiam estava acontecendo, começaram a buzinar e todos seguiram caminho. Daí contei ao meu pai do que se tratava aquela confusão.
O trânsito em Fortaleza também causou-me calafrios. Ainda bem que não renovei minha carteira.
Chega de Fortaleza, hora de irmos para Londrina.
Nota: Se voltarmos ao Brasil, Fortaleza também não está nos planos de ponto de retorno.
Rapaz, quem falou que aqui no Canadá faz frio contou lorota. Quer ver frio? vai pra Londrina no inverno...
Nossa, nunca passei tanto frio no Canadá como em Londrina. Pior que isso foi o frio com chuva. Só não choveu no dia em fui jogar golfe pela primeira vez na minha vida, e com o sogro.
Mas o tempo em Londrina foi muito gostoso, foi bom rever "in-laws", amigos por parte da Patty, ver como ela se divertia e se alegrava vendo todos. Foi legal. (Deixarei a Patty colocar as impressões dela sobre Londrina)
Como não poderia deixar de ser, não posso voltar pra casa sem emoção. No dia do meu embarque de volta para o Canadá eu pegaria um vôo de Londrina às 10 da manhã para São Paulo e chegando lá iria a casa da minha irmã para terminar de arrumar as malas e seguir viagem para Toronto. Porém, não me dei conta de um problema. O aeroporto de Londrina frequentemente fecha por causa de chuva ou neblina. Não deu outra, meu vôo para SP tinha sido cancelado e a única maneira de chegar em SP era de carro pois já tinha perdido o horário do último ônibus também. Seu Pedrinho(sogro) teve que pegar o carro e dirigir 6 horas até SP por minha causa. Mas, não bastasse isso, chegaríamos em SP no horário de "rush" das 6 horas, não daria tempo de passar na casa da minha irmã para arrumar malas. Tive que ligar para ela e pedir que levasse todas as malas e todos os nossos pertences por que eu teria que arrumar minhas malas no aeroporto(já viram isso acontecer antes?). Graças a Deus minha irmã chegou bem antes de nós e tive que pedir a ela pra ir arrumando as coisas através do celular porque pela velocidade a que estávamos na marginal chegaríamos lá emcima do horário do vôo.
Hoje estou aqui no Canadá, em parte, por causa da minha irmã e do sogro. :)
Nota: Londrina é uma cidade muito gostosa de se viver também, o problema é que não tem nada a ver com o que eu trabalho no momento.
No final existe um saldo positivo. Esse meu tempo no Brasil me permitiu comer um monte de coisas que estava com saudade: pastel, feijoada(e como comi feijoada), baião de dois, queijo coalho, pamonha, pé de moleque (do Ceará, porque cada estado do NE parece ter um conceito diferente do que é pé de moleque), sukiaki(aquele sukiaki tava bom demais), carangueijo, água de côco direto do côco, milho verde salgado(aqui só tem milho doce), feijão verde com queijo ralado, pizza de carne seca, requeijão, carioquinha(calma, é só um pãozinho francês), entre outras coisas que a memória já falha mas o estômago nunca esquecerá.
Este é o início de um novo blog. Um blog a dois agora. Após ter deletado meu blog original acidentalmente resolvi fazer algo mais divertido e interessante de manter atualizado. Um diário a quatro mãos. Porque não eu e minha marida dividirmos o mesmo espaço para adicionar nossas idéias e pensamentos?
Resolvi fazer deste também um site mais "light" para leitura e mais voltado para informções em geral. No meu blog anterior confesso que tinha muita coisa inútil, divertida por vezes, mas o que existia de útil é agora um monte de bits exterminado pelo poder da minha ignorância sobre websites que só servirá aos momentos nostálgicos de minha memória. Enquanto durar tal memória...
Acho que um bom recomeço seria relatar minha experiência de férias ao Brasil. Experiência muito instrutiva, em vários aspectos...